A máquina de escrever

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– Acreditem em já existiu um equipamento chamado “Máquina de escrever”

– É bom a gente não falar muito disto, pois se, vão nos chamar de velhos, nascidos na era APC (Antes do PC).
– Naquela época para conseguirmos um emprego, tinha-se que aprender datilografia (Era como chamavam a digitalização) em uma máquina de escrever.
– Existia ali no bairro Cidade Baixa em Porto Alegre em uma sala nos fundos de um corredor de um prédio que já foi demolido, uma porta com a parte superior em vidro, onde se lia “Escola de datilografia do professor Deoclides – Matriculas abertas”.
– Ao adentrar-se, deparava-se com uma sala um pouco escura, onde sobre as mesas estavam às maravilhosas e modernas “Maquinas de escrever”, pretas, com teclados de madrepérola e alavancas cromadas.
– Ao fundo a mesa do professor Deoclides, atulhada de papéis, e ele seus alunos sobre as lentes bifocais do óculos de aro de tartaruga.
– Sobre cada mesa pendia do teto alto uma lâmpada incandescente em um plafon aloçado…
– Tinha-mos que ficar teclando até encher uma página de “QWERTY QWERTY QWERTY QWERTY ” os dedos ficavam duros, na outra aula: “ASDFGH ASDFGH ASDFGH ASDFGH” e assim até decorar o teclado inteiro e passar para formar palavras.
– Mas o mais incrível era que o professor insistia que cada letra tinha que ser com um dedo diferente, tinha-se que usar todos os dedos da mão, e mais, as letras do lado esquerdo do teclado tinham que ser tecladas com os dedos da mão esquerda e as da direita com os da mão direita, pasmem!
– Nem o dedão escapava, era dele o travessão, aquela tecla maior que fica em abaixo das pequenas.
– E os acentos, puxa não quero nem lembrar.
– Só para maltratar as máquinas de escrever não tinham teclado numérico.
– E o fim da linha, era um deus nos acuda. Se agente não se desse conta ou não ouvisse a campainha que tocava “automaticamente” para avisar que a linha estava chegando ao fim, a última letra ficava rebatida, inteligível, um verdadeiro borrão ou a máquina trancava.
– E mais, não tinha retrocesso (Back Space), escrito errado ficava errado. Oh Deus!
– Para nova linha, acionava-se uma alavanca, que movia o rolo na parte superior onde estava o papel, esta mesma alavanca servia para o retrocesso, ou seja, posicionar o papel no inicio da nova linha (Enter do PC,).
– Verificador ortográfico nem pensar, tinha-se que ter conhecimento de linguagem.
– Naquela época fazia um grande sucesso uma máquina fabricada na França, que vinha com uma tecla que era literalmente um borrão, muito útil quando se tinha dúvida se a palavra era escrita com s, z ou x, a gente tacava o borrão e a culpa era atribuída à máquina…
– Hoje é muito mais fácil, com os dois dedos indicadores fazemos tudo e se errarmos é só voltar e reescrever.
– Veja você, tínhamos que pensar e prestar muita atenção ao que estávamos fazendo, pois se errássemos tínhamos que começar tudo novamente, e isto de certa forma ajudou em nossa formação para a vida como um todo.
Texto de N.Geraldi, devidamente datilografado – NG Canela – Novembro de 2010
>> Vídeo com Jerry Lewis:
>>Veja como uma máquina de escrever era fabricada:
 

Sobre Norberto Geraldi

Residente em Canela / RS / Brasil - Aniversário 16 julho - Brasileiro - Casado
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